Noticias Felipe Conceição no treino do Botafogo

Published on Fevereiro 8th, 2018 | by leonardosmota

0

Por que Felipe Conceição balança no Botafogo?

Após só seis jogos, técnico vira principal alvo da torcida em meio à crise e já tem cargo ameaçado. Falta de encaixe no time, volta do trauma da bola aérea e responsabilidade financeira pesam contra
Troca de filosofia, substituições, pressão... Por que Conceição balança no Botafogo?

Porém, a realidade é outra. Após apenas seis jogos, o técnico virou o principal alvo das cobranças dos torcedores em meio à crise pela eliminação do Botafogo na primeira fase da Copa do Brasil. A pressão interna também é grande, e uma reunião foi realizada na noite de quarta-feira com a diretoria, após o retorno da delegação ao Rio de Janeiro. Seu cargo está fortemente ameaçado.

Mas, afinal, por que tamanha esperança e expectativa sobre o iniciante técnico, apontado internamente como um promissor a novo Cuca, virou uma pressão sem igual com 35 dias de trabalho? O GloboEsporte.com aponta os principais fatores que pesam contra ele na balança:

Troca repentina de filosofia

Time saiu do 4-3-3 para o 5-2-3 contra a Aparecidense (Foto: André Costa/Estadão Conteúdo)

Time saiu do 4-3-3 para o 5-2-3 contra a Aparecidense 

As escassas alterações na escalação no início do trabalho de Felipe Conceição sustentavam o conceito pregado por ele da repetição. Justamente no jogo que eliminou o Botafogo da Copa do Brasil, o técnico mudou e muito. Apostou em uma formação com três zagueiros, treinada apenas uma vez, e apenas um meio-campo centralizado (João Paulo) para construir as jogadas.

Por sua orientação, os laterais não subiram e, após sofrer o gol de empate, o Botafogo ficou acuado e não reagiu. A polêmica escalação provavelmente foi pensando em uma forma de parar o Flamengo, pela semifinal da Taça Guanabara. Mas ela lhe rendeu muitas críticas de torcedores e diretores, que passaram a fazer pressão por sua saída.

O discurso pedindo paciência, que é necessário um tempo maior para o time assimilar uma nova característica de jogo, mais ofensiva, foi comprado pela torcida até acabar a paciência com a eliminação. A única atuação convincente foi na vitória por 2 a 1 sobre o Macaé, no Moacyrzão.

Demora em substituições

Um dos reforços, Renatinho tem entrado só no fim dos jogos (Foto: Fred Gomes)

Um dos reforços, Renatinho tem entrado só no fim dos jogos

Na estreia, contra a Portuguesa, trocou Carli por Marcelo no intervalo por lesão. A segunda e a terceira substituições só saíram aos 24 minutos, quando Ezequiel e Marcos Vinícius entraram nas vagas de Pimpão e Leo Valencia. Detalhe: o time perdia por 2 a 1 e tinha muita dificuldade. Só voltou a mexer no fim, aos 37: entraram Lindoso e Lucas Campos nos lugares de Matheus Fernandes e Luiz Fernando.

Contra o Fluminense, uma mexida tática mais rápida: aos nove da etapa final, Dudu Cearense entrou no lugar de Valencia com o intuito de frear o rival, que atacava em ritmo alucinante. Depois disso, só voltou a mexer aos 30, trocando atacantes que atuam pelo lado do campo. Nem fez uso das cinco substituições que tinha direito. Nos 2 a 1 sobre o Macaé, mais alterações de ordem médica (Marcelo e Arnaldo). As primeira trocas por opção se deram somente aos 35 minutos.

Diante do Boavista, as trocas vieram aos 19, 25 e 43 minutos. No empate com o Madureira, Matheus Fernandes saiu machucado no intervalo. Apesar de todo o marasmo apresentado, mudanças só aos 25 minutos (Brenner por Kieza) e aos 37 (Leo Valencia por Renatinho). E na eliminação para a Aparecidense, Kieza e Lindoso entraram aos oito e 17 minutos, mas Luiz Fernando, que vinha muito mal, só saiu aos 34, quando deu lugar a Renatinho.

Poucas variações táticas

Felipe Conceição é criticado por não ter variação tática durante os jogos (Foto: Fred Gomes)

Felipe Conceição é criticado por não ter variação tática durante os jogos

Na estreia alvinegra, apesar de a Portuguesa ter aberto 2 a 0, Felipe não tentou nenhuma mudança ousada. Trocou jogadores que fazem praticamente a mesma função: saíram Carli, Pimpão, Valencia, Matheus Fernandes e Luiz Fernando; entraram Marcelo, Ezequiel, Marcos Vinícius, Lindoso e Lucas Campos. As substituições “seis por meia dúzia”, dentro da mesma posição, irritaram a torcida.

A falta de variações táticas durante as partidas é uma das críticas sobre o técnico. Em todos os jogos, no máximo trocava os atacantes de lado. Por exemplo, Luiz Fernando estreou como ponta-direita e depois foi para a esquerda. Apesar disso, variava muitas vezes com Pimpão. João Paulo e Valencia também se revezam pelo meio, mas nada que chamasse muita atenção.

Trauma da bola aérea

Bola aérea voltou a assombrar: quatro gols em seis jogos (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Bola aérea voltou a assombrar: quatro gols em seis jogos

Jair Ventura demorou, mas conseguiu corrigir os erros defensivos e exorcizar um fantasma que assombrava o time há anos: o da bola aérea. As peças da zaga continuam as mesmas com Felipe Conceição, mas as falhas pelo alto retornaram com força.

Em 2017, foram 23 gols sofridos na bola aérea em 73 partidas. Já esse ano, dos cinco gols sofridos em seis jogos, quatro foram pelo alto: Sassá (Portuguesa), Pipico (Macaé), Nonato e Gustavo Ramos (Aparecidense). Os cruzamentos voltaram a ser um “Deus nos acuda”.

Garotada sem espaço

Lucas Campos entrou só uma vez até aqui (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Lucas Campos entrou só uma vez até aqui

Um dos discursos da diretoria na efetivação de Felipe Conceição era da integração com a base e um melhor aproveitamento dos garotos no elenco principal. Mas poucos têm recebido oportunidades de jogar. Ezequiel foi quem mais entrou em campo, em quatro partidas.

Já nomes como Kanu e Lucas Campos só entraram uma vez. O zagueiro Helerson, o lateral-direito Marcinho, o volante Bochecha e o atacante Pachu quase não são relacionados. Yuri, que voltou de empréstimo do Santa Cruz para ser opção na lateral esquerda, sequer foi testado.

Do time titular, os jovens Igor Rabello e Matheus Fernandes se firmaram desde o ano passado, ainda sob o comando de Jair Ventura.

Pressão moral e financeira

Botafogo recebeu só R$ 1 milhão da mais rica Copa do Brasil (Foto: editoria de arte)

Botafogo recebeu só R$ 1 milhão da mais rica Copa do Brasil

Além do vexame de o Botafogo ter sido eliminado pela primeira vez na história na primeira fase da Copa do Brasil, Felipe Conceição enfrenta ainda a pressão financeira. Com os cofres apertados, a competição mais rica do Brasil, que pagará R$ 50 milhões ao campeão e R$ 20 milhões ao vice, era a menina dos olhos de ouro da diretoria.

Porém, a precoce eliminação rendeu ao clube apenas R$ 1 milhão pela participação. Se tivesse passado da Aparecidense, já garantia pelo menos mais R$ 1,2 milhão. E se fosse avançando até a semifinal, onde caiu no ano passado, receberia em premiação da CBF algo em torno de R$ 16 milhões. A responsabilidade pela perda financeira recaiu em suas costas.

Tags:


About the Author



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Top ↑

Show Buttons
Hide Buttons