Noticias Alberto Valentim

Published on Fevereiro 14th, 2018 | by leonardosmota

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Os muitos desafios de Alberto Valentim à frente do Botafogo

Depois da eliminação na Taça Guanabara para o Flamengo e do vexame diante da Aparecidense na Copa do Brasil a diretoria do Botafogo agiu e acertou a contratação de Alberto Valentim para substituir Felipe Conceição no comando da equipe.

Muitos podem encarar a escolha como mais uma aposta num nome mais jovem (Alberto Valentim tem apenas 42 anos de idade) e sem muita bagagem. Mas é preciso reconhecer que a escolha foi a mais acertada dentro dos profissionais disponíveis no mercado.

Valentim mostrou alguns dos seus conceitos no Campeonato Brasileiro do ano passado, quando arrumou o time do Palmeiras na reta final da competição. Quando muitos esperavam um “medalhão”, o Botafogo aposta num nome da nova geração. Mas é bom que torcida e direção tenham em mente que a missão de Alberto Valentim não será das mais fáceis. Há muita coisa a ser feita no Glorioso.

O Palmeiras da reta final do Brasileirão de 2017 é um bom exemplo daquilo que Alberto Valentim pensa para uma equipe de futebol. Depois de assumir o clube em crise após a saída de Cuca, o novo comandante do Botafogo manteve a base que vinha jogando, mas modificou alguns pontos na equipe alviverde.

O principal deles foi a mudança do esquema com encaixes individuais (estilo utilizado por Cuca nos últimos anos) para um jogo mais posicional e de marcação por zona. O Palmeiras de Alberto Valentim recuperou parte do bom futebol e chegou até a dar um calor no Corinthians.

O time jogava melhor distribuído em campo, utilizava volantes com qualidade no passe e toques rápidos no setor ofensivo. A reação, no entanto, chegou tarde demais e os comandados de Fábio Carille ficaram com o título brasileiro. Mas o bom trabalho à frente do Palmeiras permaneceu. Assim como a moral com a torcida alviverde, que chegou a pedir a sua permanência.

O Palmeiras de Alberto Valentim era organizado, ocupava bem os espaços e sempre saía com bola no chão para aproveitar a qualidade dos seus jogadores. A vitória sobre o Grêmio em Porto Alegre por três a um foi um dos pontos altos da equipe no ano passado.

As muitas missões de Alberto Valentim no Botafogo começam a partir da montagem do time titular e, principalmente, na escolha da maneira com que a equipe vai jogar. Nem é preciso lembrar que o elenco do Glorioso se acostumou com o estilo mais reativo de Jair Ventura, que fechava a sua equipe em duas linhas de quatro bem organizadas e que se desdobravam num 4-3-1-2 (ou num 4-2-3-1 em determinadas partidas).

Além disso, jogadores que foram extremamente úteis na temporada passada como Bruno Silva, Victor Luís, Roger e Camilo não estão mais no clube e abriram lacunas que ainda não foram preenchidas pelos jogadores que lá permaneceram e pelos reforços que chegaram neste ano. Uma mudança para um estilo mais ofensivo e que propõe o jogo pode ser interessante caso Alberto Valentim tenha respaldo da diretoria para trabalhar e fazer os ajustes necessários.

Há como o novo treinador do Botafogo pensar num modelo híbrido no time titular. Uma formação que alie a consistência defensiva do ano passado com um modelo que proponha mais o jogo. Tal qual o Palmeiras no ano passado. Rodrigo Lindoso voltaria para a proteção da zaga com Matheus Fernandes saindo mais pela direita (tal como Bruno Silva no ano passado) com João Paulo mais centralizado para organizar e qualificar a saída de bola.

Mais à frente, Renatinho mostrou no segundo tempo da derrota para o Flamengo que pode ser o jogador que atua entre as linhas do adversário e ainda preparar as jogadas para Rodrigo Pimpão e Kieza. Um 4-3-1-2 que varia para um 4-2-3-1 conforme as necessidades da partida, que mantém a organização defensiva do ano passado com um modelo mais propositivo de jogo.

Alberto Valentim pode voltar ao esquema do ano passado com Rodrigo Lindoso à frente da zaga, Matheus Fernandes e João Paulo saindo pelos lados e Renatinho na ponta do losango. A ideia é recuperar a organização e a dinâmica do 4-3-1-2 (que varia para o 4-2-3-1) que já deu muito certo no Botafogo.

Outros atletas como Luís Ricardo (jogador que tem potencial para ser titular na opinião deste que vos escreve), Dudu Cearense, Brenner, Leo Valencia, Marcelo, Luiz Fernando e Ezequiel podem não estar no mesmo nível do elenco na temporada passada. Mas ainda podem ser muito úteis na montagem de uma equipe mais consistente do que a comandada por Felipe Conceição, uma aposta errada da diretoria alvinegra.

Não pelo nome em si, mas pelo fato do ex-treinador ter tentado modificar o estilo de jogo do Botafogo de uma hora para outra e por também não ter encontrado os substitutos ideais para os jogadores que deixaram o clube. Se Alberto Valentim encontrar terreno propício para implantar seus conceitos, a tendência é que eu e você vejamos um Glorioso bem mais competitivo do que esse da Taça Guanabara.

Certo é que o Botafogo parece ter uma linha bem definida após o sucesso de Jair Ventura à frente do clube: a aposta em treinadores mais jovens e mais antenados com os novos conceitos do futebol moderno e que também sabem administrar o vestiário. O complicado não é seguir essa tendência, mas sempre esperar que o processo dê certo sem que o treinador encontre meios para trabalhar.

Alberto Valentim tem qualidade e sabe o que faz. Mas não é mágico. O time precisa de reforços em todos os setores e de uma boa dose de paciência da torcida e conselheiros para que as coisas comecem finalmente a voltar para os eixos.

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