Entrevistas Matheus Fernandes

Published on Janeiro 8th, 2018 | by leonardosmota

0

Matheus Fernandes projeta 2018

Volante de 19 anos comenta indicação como um dos melhores jogadores jovens por revista inglesa, fala dos efeitos pós-falha contra o Grêmio e da relação com “professor Felipe”: “Tigrão quebra”
Erro no passado, busca pelo topo e cabeça no Bota: Matheus Fernandes projeta 2018

O crescimento dentro de General Severiano rendeu reconhecimento no fim do ano passado. A revista inglesa “Four Four Two”, famosa por suas listas, o ranqueou como 16º entre os 100 melhores jogadores jovens do mundo. Foi o segundo entre os brasileiros – foi superado apenas por Matheusinho (14º) e terminou à frente do rival Vinicius Júnior (67º), do Flamengo.

Matheus Fernandes apareceu bem em lista da revista inglesa (Foto: Reprodução/FourFourTwo)

Matheus Fernandes apareceu bem em lista da revista inglesa

A eleição pelos britânicos o surpreendeu, mas, garantindo ser um cara que trabalha para ser “o melhor”, afirma aceitar e entender tal posto dentro do futebol mundial.

– É fruto do trabalho, venho trabalhando e buscando sempre ser o melhor. Se eu vou ser o melhor ou não eu não sei, mas eu dou o máximo para ser. Não era esperado, eu não imaginava ser o segundo (melhor entre os brasileiros), mas eu trabalho para isso. Então é bem mais natural eu aceitar, porque trabalho forte todos os dias buscando ser o melhor – repetiu o garoto de 19 anos.

E a certeza de que se dedicará firme aos seus objetivos individuais é a mesma em relação ao que espera do grupo alvinegro. Para ele, o Bota chega mais forte do que em 2017 para buscar o topo.

– Muita evolução e crescimento. Se vamos ganhar títulos eu não sei, mas vamos brigar por todos que disputarmos.
Matheus Fernandes ao lado do pai, Reinaldo, e da mãe, Roseli (Foto: Arquivo Pessoal)

Matheus Fernandes ao lado do pai, Reinaldo, e da mãe, Roseli

– Meu sonho é primeiro chegar na final dessa competição que vamos disputar agora, que é o Campeonato Carioca. E ganhar, começando o ano com pé direito e conquistando um título. É sempre estar evoluindo que as coisas vão vir naturalmente.

Confira abaixo o papo com Matheus, de 19 anos e que disputou 41 jogos no ano passado. Ele fala da relação com Felipe Conceição, quem conhece há muito tempo, de inspirações e do erro individual contra o Grêmio, na última Libertadores:

A citação de seu nome na lista da “Four Four Two” e a procura de um agente do Barcelona no ano passado o colocaram na vitrine internacional. Já pensa no exterior?
Pensar a gente sempre tem o pensamento de jogar lá fora, mas acho que não adianta nada pensar lá fora e não fazer o meu trabalho aqui. Para ter a oportunidade de conhecer outros clubes lá fora, eu tenho que levar bem à frente minha carreira no Botafogo e fazer bem bonito aqui. Então, no momento e sempre, vou estar mais focado aqui no clube procurando dar o meu melhor. Se vier oportunidade de jogar lá fora, vou agarrar também.

Você já conhece o Felipe Conceição e foi titular absoluto dele na campanha do vice-campeonato da Copa do Brasil 2017 Sub-17, em 2015. Como é a relação de vocês e o quanto a chegada dele ao profissional lhe ajuda?
Muito bom para mim e para outros atletas que já trabalharam com ele. Ele tem confiança na gente e sabe do que somos capazes de fazer. Ele vai tirar o máximo de nós, e a gente sempre vai ter que dar um algo a mais para poder surpreender o professor. Ficamos mais à vontade para mostrar nosso trabalho e temos até mais liberdade para conversar com ele por já ter essa afinidade. Tranquilidade, todos estão acreditando no trabalho dele, e vamos chegar muito longe nesse ano.

Felipe Conceição orienta time próximo a Matheus Fernandes (Foto: Fred Gomes/GloboEsporte.com)

Felipe Conceição orienta time próximo a Matheus Fernandes

Ele te chama de Coquinho?
É Coquinho, Matheus, Fernandes (risos)…

E você o chama de Tigrão ou professor Felipe?

– Professor Felipe, Tigrão quebra (risos).

Como surgiu esse apelido de Coquinho mesmo?
Foi na minha primeira experiência no Botafogo, cheguei, e o cara olhou pra mim e falou “Coquinho”. Todo mundo começou a rir, e eu fiquei p…, lógico. Nem conhecia o cara, e o apelido pegou. Começou a pegar mais no sub-17. O apelido dele era “Psico” (risos). Ele estava no Olaria até pouco. Ele era meio doido, forte e gostava de trombar.

Matheus Fernandes exibe troféu do Quadrangular de Seleções de 2014, conquistado em Talca, no Chile (Foto: Arquivo Pessoal)

Matheus Fernandes exibe troféu do Quadrangular de Seleções de 2014, conquistado em Talca, no Chile

Seu 2017 foi muito positivo, veio o reconhecimento, mas houve o erro contra o Grêmio que custou a eliminação do Botafogo na Libertadores. O quanto essa falha influenciou no teu prosseguimento?
Acho que não influenciou em nada, posso sim ter ficado pensando um pouco no lance. Foi um erro meu, mas também foi mérito do cara que fez o gol. Deixei um pouco o rendimento cair, e isso que me levou ao banco. Agora é cabeça boa, mudou o ano e chego com foco total.

E por que você deixou seu rendimento cair?
Acho que é por conta de ficar pensando porque era uma competição que eu não tinha disputado. Por mais que o grupo tenha absorvido bem e dito “O erro não foi teu, foi do grupo”, você fica com aquele sentimento ruim dentro de você.

É uma competição que o Botafogo nunca conquistou, e a gente foi bem longe. A gente queria ganhar, infelizmente aconteceu o erro, e você acaba ficando um pouco sentido. Acaba atrapalhando no rendimento, é besteira deixar o rendimento cair. Mas é natural, foi a primeira vez que aconteceu isso comigo. Agora é dar a volta por cima, e acredito que não vai acontecer mais.

Apesar da queda nas quartas, você e o Botafogo fizeram uma grande Libertadores. O quanto essa competição foi importante para você e o time?
Competição inédita, claro que foi importante. A gente não conseguiu a classificação, mas fortaleceu o grupo. Esse ano vamos buscar a Libertadores de novo.

E você sente o Botafogo forte para tentar ir à Libertadores de novo?
Muito forte, até mais forte do que no ano passado.

No que precisa melhorar individualmente? Como volante, fazer gol não é sua prioridade, mas ainda não saiu o primeiro como profissional. Trabalhar a finalização pode ser uma das coisas a evoluir?
Preciso manter o foco no meu trabalho que o gol uma hora vai sair. Não importa se vou fazer ou não, importante é ajudar o meu time. Se o Brenner fizer o gol e eu não fizer, para mim está bom. Eu sair do jogo com a vitória que me importa.

Você já falou que se espelha nos meio-campistas Pogba e Luiz Gustavo. Há outros que te inspiram e são suas referências? O que tira do futebol deles para crescer?
Sempre acompanhei grandes jogadores. Tem Luiz Gustavo, atualmente tem o Pogba, o Kanté (do Chelsea). Gosto muito da marcação do Kanté. Gosto da saída de bola e da qualidade do Pogba, que também volta para marcar. Pego os movimentos deles e tento botar em prática no campo para ficar mais natural.

Tags:


About the Author



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Top ↑

Show Buttons
Hide Buttons