Entrevistas Felipe Conceição

Published on Janeiro 13th, 2018 | by leonardosmota

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Felipe Conceição inicia outra história no Botafogo

Ex-jogador e agora técnico do Alvinegro, ele se diz preparado para o posto e cita experiências na carreira, como as graves lesões, para explicar sua forma de trabalho e diálogo com o elenco
Mensagem de Jair e estilo próprio: Felipe Conceição inicia outra história no Botafogo

“O clube é minha casa”. A frase define muito bem a vida de Felipe Conceição desde quando foi apresentado como técnico do Botafogo no último dia 4 de janeiro. Aos 38 anos, a mesma idade do antecessor Jair Ventura, ele reconhece a grande responsabilidade que assumiu. Mas, ao mesmo tempo, se diz pronto para mostrar sua filosofia e acabar com uma possível desconfiança do torcedor.

– A desconfiança é natural. Qualquer treinador que viesse passaria por essa desconfiança de saber como será o trabalho. Não é porque sou um treinador novo. Eles (torcedores) podem esperar uma equipe muito organizada, intensa e buscando as vitórias em todos os jogos – disse ele, que trocou mensagens com Jair Ventura assim que foi efetivado.

– Desejamos sorte um ao outro. Houve uma troca de agradecimento pelo período que passamos juntos.

Revelado pelo Botafogo na década de 90, Felipe Conceição conhece muito bem o clube e carrega uma trajetória importante como técnico das divisões de base, passando pelas categorias sub-15 e sub-17. Nesse período, comandou muitos atletas que hoje figuram entre os profissionais, como Matheus Fernandes, Marcinho e Yuri. E esse foi um fator determinante para a escolha da diretoria.

– Foi um processo de formação e me deu embasamento para assumir o cargo. Encaixa com a filosofia do clube. A gente sempre fala que os clubes precisam de uma filosofia na hora de escolher, e o Botafogo fez bem. Um cara que conhece a base. O Matheus Fernandes passou três anos comigo. O Yuri, Marcinho… Toda essa geração que chegou e que está para chegar eu já trabalhei.

Luis Ricardo e Felipe Conceição durante o treino do Botafogo (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Luis Ricardo e Felipe Conceição durante o treino do Botafogo

A intensidade que ele promete da equipe já faz parte de seu cotidiano. Para colher todas as informações possíveis, se adaptar melhor e se aproximar ainda mais dos jogadores, Felipe abriu mão de voltar para casa nesse período de pré-temporada. O motivo é bem compreensível!

– Não tem casa (risos). O clube é minha casa, pois chego cedo aqui. Durmo em General Severiano nesses dias e não tenho ido para casa. Lá tem um time de três meninas e se eu for terei que treinar também (risos). O desgaste já é grande com os marmanjos aqui e prefiro estar à disposição do clube. A família entendeu que vai ficar sem pai e marido por um tempo.

Confira a entrevista completa:

Você aparenta ter um perfil tímido. Como se define? 
Acho que uma pessoa que consegue ajudar as outras. Uma das principais funções do treinador é fazer o bem, guiar esses atletas para um crescimento pessoal. Mas que cobra muito. Sou exigente, chato e já isso avisei para eles.

Essa vontade de ser treinador já veio desde quando você se aposentou como jogador? 
Quando parei de jogar confesso que não pensava nisso. Ficar longe da família outra vez, concentração, mas no meu primeiro trabalho como gestor (no São Gonçalo FC, em 2012) acabei indo para o campo devido a um problema de saúde do treinador.

Muita gente não sabia que você já tinha passado por essa experiência profissional…
Pois é. Tive um processo natural e fomos campeões da Terceira Divisão no São Gonçalo. Lá você faz tudo, mas existia um bom gestor. Eu mesmo muitas vezes saia para comprar o café para o elenco. As dificuldades são enormes e saimos vitoriosos naquele ano. Depois, acabei aceitando o convite para trabalhar no sub-15 do Botafogo.

Quando o Jair começou a negociar com o Santos, falou-se em alguns nomes, mas o clube apostou em você. Já esperava?
Foi bem rápido. Jair anunciou uns dois dias antes e logo depois eles me ligaram marcando uma reunião. Sempre procurei colocar na cabeça que o Jair não tinha saído. Por mais que tivesse especulação. Quando ele anunciou que não seguiria, até deu um pouco de ansiedade, mas sempre com o pensamento que se não fosse escolhido seguiria minha vida como auxiliar.

Esse período como auxiliar dos profissionais do Botafogo facilita esse início…
Acho que esses dois anos que passei no profissional me deram vivência, visões de erros e acertos que tanto ele (Jair Ventura) como o Ricardo Gomes tiveram e só agregou na minha formação profissional.

Jair com Emílio Faro e Felipe Conceição no treino do Botafogo (Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo)

Jair com Emílio Faro e Felipe Conceição no treino do Botafogo

Ano passado o Jair usou um esquema com três homens de marcação no meio, sendo que João Paulo e Bruno Silva chegavam bem ao ataque. Como pretende armar esse novo Botafogo?
Como um futebol moderno, equilibrado e muita intensidade. A passagem como atleta te traz essa vivência das competições. Porém, o fundamental é agregar isso ao conhecimento acadêmico. Fiz pós-graduação, curso de técnico na CBF e vamos buscando sempre novos conhecimentos.

Nota da redação: ainda sem Renatinho e Rony, Felipe vem treinando com uma equipe bem ofensiva: Arnaldo, Joel Carli, Igor Rabello e Gilson; Matheus Fernandes, João Paulo e Leo Valencia; Luiz Fernando, Pimpão e Brenner.

Gatito ou Jefferson?
Isso vai ser decidido nos treinamentos e em conjunto com os preparadores de goleiros.

Felipe Conceição bate papo com Gatito e Jefferson (Foto: Fred Gomes/GloboEsporte.com)

Felipe Conceição bate papo com Gatito e Jefferson

Sua estreia será diante da torcida. Além de ter um sentimento especial, qual a importância de já começar com uma vitória sobre a Portuguesa, no dia 16?
O Botafogo já é especial na minha vida. Vivi momentos felizes e será mais uma emoção grande. Vai ser um momento de crescimento não só para mim, mas para a equipe. Vamos ter um time aguerrido e com alguns ingredientes que estou trazendo, mas não vou falar quais (risos).

Você falou em momentos felizes. Talvez um dos mais importantes tenha sido o clássico contra o Flamengo pelo Torneio Rio-São Paulo de 2002, quando o Botafogo venceu por 4 a 2. Foram dois gols seus…
Tive momentos marcantes na carreira de profissional. Em clássico sempre é bom marcar. Ficou a experiência para a carreira de treinador. Foi uma carreira de altos e baixos muito devido ao problema das lesões. Não foi uma carreira de sucesso, mas tive uma vivência espetacular. Não me arrependo de nada e de tudo que passei.

O que trouxe de aprendizado após essas lesões? Talvez se fosse hoje com a modernidade da medicina poderia ter tido uma história diferente…
No primeiro ano, eu tive um problema no joelho. No ano seguinte, rompi o tendão do reto femoral no quadril. Passei um ano e oito meses parado. Não tive um diagnóstico preciso. O médico não me disse se eu voltaria a jogar futebol. Voltei e joguei mais uns 10 anos. Não trago um retrospecto de sofrimento e, depois dessa experiência, procuro passar tranquilidade para os atletas que estão em situação parecida ou não.

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