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Published on junho 5th, 2017 | by leonardosmota

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A escolha por um futebol reativo e o “custo-benefício” do Botafogo

O que você, como torcedor, exige de seu time?

Um futebol vistoso, que supere futebolisticamente o rival e que jogue melhor que ele em todas as partidas? Vitórias e mais vitórias, vencendo tudo o que é possível? E quando existe um investimento, seja em um jogador caro, um ídolo ou um elenco com nomes badalados?

É natural que o futebol não seja feito apenas de vitórias. Há times melhores, dias ruins, as coisas podem não dar certo ou o “encaixe” pode não ter acontecido. Por isso é preciso olhar além do placar final, um exercício tão raro e tão difícil para quem age com a emoção e a paixão como o torcedor. Muitas vezes, uma equipe vai muito bem porque seu “custo-benefício” é extremamente alto. É o caso do Botafogo.

O significado do termo “custo-benefício” é a relação entre investimento, valor gasto e o que se recebe como lucro. Apesar dos termos financeiros, custo-benefício é um juízo de valor aplicável a qualquer situação, produto ou contexto. No caso do Alvinegro, é nítido que o trabalho de Jair Ventura tem um alto retorno desde que assumiu: tirou o time da zona de rebaixamento, líder de um grupo complicado na Libertadores e 7 pontos em 4 rodadas de Brasileirão, incluindo o empate com o rival muito, mas muito mais rico: o Flamengo.

O investimento feito foi baixo, ou pelo menos não tão alto como a tradição do Botafogo e o que o torcedor quer ver. Após um 2013 bom no campo e péssimo financeiramente, um 2014 traumático e um clube quase falindo em 2015, era natural que a próxima gestão se encarregasse de sanar dívidas, mesmo que esportivamente o clube fosse sacrificado. Mas o “lucro” dessa relação é um Bota competitivo, sabedor de suas limitações e que encontrou um treinador que soube ler esse contexto e adotar uma filosofia que casa muito bem com o todo: um jogo reativo, de intensidade sem a posse, negação de espaços com bastante pressão, como na foto, e busca por contra-ataques.

Se o investimento é menor, não há jogadores com tanta capacidade técnica e o tempo para impor uma filosofia diferente é escasso, logo é mais fácil treinar e implantar um jogo reativo, que busca negar espaços com muita intensidade e basear as ações ofensivas na reação ao adversário: rouba a bola, acelera e parte com velocidade em direção ao gol. Para isso, é preciso que os jogadores entendam bem que a mudança de comportamento tem que ser rápida: time defendendo, recupera, time atacando. Segundos após recuperar a bola, Pimpão já ultrapassa e consegue receber à frente, com adversários atrás.


Isso explica porque os testes com João Paulo e Camilo abertos não deram certo: são jogadores que cadenciam e organizam, e para isso acontecer, é preciso um tempo até o time se deslocar e dar opções de passe a eles. A melhor versão do Bota é com Pimpão e Bruno Silva nos lados, acostumados a fazer o “vai e volta”, e Airton e Lindoso: apesar da fama de “marcadores”, possuem bom passe e aceleram para que eles “ataquem os espaços” e Roger consiga fazer o pivô e sustentar boa parte da construção do Bota.

As lesões no péssimo gramado do Raulino de Oliveira com certeza pioram, mas não desmontam um Botafogo que sabe reagir a situações adversas e vem colhendo um ótimo custo-benefício do que pode e do que plantou para não falir.

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